Fonte: Só a Luta te Garante

Publicada em 31.05.2017

O Pará volta para as manchetes internacionais por conta de uma nova chacina promovida por policiais militares. Agentes públicos foram responsáveis pelo assassinato de 1 trabalhadora e 9 trabalhadores rurais na comunidade de Pau d’Arco, do município de Redenção, sudeste do Pará.

Mascarada como reintegração de posse, o massacre ocorreu na Fazenda Santa Lúcia, onde os policiais militares chegaram atirando, segundo relatos de sobreviventes.
Mesmo depois de chacinas ocorrerem, o Estado continua ausente e permite fatos como a entrega dos corpos das vítimas em estado de putrefação para os familiares pelo Instituto Médico Legal do Pará. Além disso, não se posiciona e não divulga informações sobre o ocorrido, fomentando boatos, que são compartilhados nas redes sociais com fotos dos corpos ensaguentados das vítimas.

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Fonte: Só a luta te garante

Impunidade – O que impulsiona ainda mais a violência no campo é a impunidade. Na maioria dos casos, os autores dos crimes são policiais militares e civis. Eles costumam passar por processos administrativos após as violações, mas, geralmente, não são punidos pelos crimes que cometeram. E quando são, quase nunca as penas são exemplares, no máximo, são afastados dos cargos.

Para ter um pouco da dimensão da impunidade em relação aos crimes cometidos no campo, a Polícia Militar e Civil do Pará farão uma caminhada a favor dos policiais envolvidos no massacre de Pau D’Arco, em Belém, capital paraense. O cartaz está circulando no Whatsapp. Nele, aparecem os nomes do Coronel Barata e Sargento Haelton como organizadores da tal marcha que também tem apoio do vereador Silvano (PSD-PA).

A Comissão Pastoral da Terra divulgou na última semana, os números de assassinatos no campo por meio do relatório “Conflitos no Campo — Brasil 2016” e destacou que 61 pessoas foram assassinadas só por trabalharem no campo. Esse número é o maior já registrado desde 2003. Em 2017, já se contabiliza 36 mortes, mais da metade das mortes de trabalhadores rurais em relação ao ano inteiro de 2016.

Histórico- Há 21 anos no Pará ocorreu o massacre de Eldorado dos Carajás, quando a Polícia Militar assassinou 19 trabalhadores rurais. O episódio ficou conhecido mundialmente. Na época, o estado era governado por Almir Gabriel (PSDB-PA). Os tucanos continuam no poder ainda hoje, com Simão Jatene no governo, que no final do dia desta quarta-feira, 31 de maio, se pronunciou por meio de uma nota oficial dizendo que é isento, ou seja, que nada tem a ver com a passeata organizada pelos policiais militares do Pará, em Belém do Pará em prol dos agentes públicos que assassinaram 10 pessoas no dia 24 de maio. Mas a segurança pública não é de competência do estado? Deveria ser.

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